É estressante com certeza o meio no qual trabalha um funcionário publico da saúde. Seja pelo ambiente, pelo tratamento recebido dos familiares dos pacientes, pela arrogância de alguns médicos e dos chefes, pela condição desumana a qual nós e os pacientes somos submetidos (falta de material, equipe reduzida, espaço insuficiente), pelo baixo salário ou simplesmente pela natureza de própria de cada um. Porem, nada justifica devolvermos toda essa problemática àqueles que chegam angustiados com o desconhecido, desamparados, com o medo da perda, sem saber o que é “estável”, o que é grave, o quanto a espera pelo atendimento vai agravar ou não o problema, porque são leigos. Essas pessoas vêm sofridas, cansadas de serem jogadas de um lado pro outro, de não receberem informações corretas, desesperançosas. Merecem no mínimo um pouco de atenção, de respeito. Pensemos ao agir ou falar que ali está alguém que conhecemos, um parente a quem prestaríamos toda a atenção necessária para minorar o problema. Não estamos livres de um dia precisarmos de um “desconhecido” a nos atender ou a alguém de nossa família. Já dizia alguém: “Gentileza, gera gentileza!”
Sei que nem sempre somos reconhecidos. Mas sei também que não somos uma classe unida, existe uma boa gama de profissionais que não fazem por merecer, se julgam semideuses, porque detém o poder de decidir a hora do medicamento, do procedimento, do banho no leito, de passar uma informação, de cuidar e fazem esperar a quem anseia por uma simples palavra. Não é suficiente salvar vidas, é preciso fazê-lo com amor. Sejamos menos automáticos e mais humanos, façamos uma auto-avaliação.
Um dia me questionaram porque fui escolher uma profissão de desempenho tão árduo e sobre a qual recaem tantas críticas. Fiquei por segundos sem saber o que dizer, a me indagar. Mas ao sentir meu coração bater um pouco mais forte numa busca que não durou muito tempo, soube exatamente o porquê estou aqui: “na minha escolha nunca pensei nas dificuldades ou nos ganhos que encontraria, pensei no que poderia oferecer de melhor para fazer a diferença, pra não ser apenas mais uma”.
Márcia Rezende- Tec. em Enfermagem e Enfermeiranda da FAMAM.
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